Foto: Vinicius Becker
Prefeito de Santa Maria, Rodrigo Decimo, diz que reajuste foi uma decisão "muito pensada para permitir que o sistema continua rodando e não prejudique o usuário"
O aumento da tarifa do transporte coletivo urbano de Santa Maria, anunciado pela prefeitura na tarde desta quarta-feira (4), foi defendido pelo prefeito Rodrigo Decimo (PSD) durante entrevista ao programa Fim de Tarde, da Rádio CDN.
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Segundo o chefe do Executivo, o reajuste foi uma medida necessária diante da dificuldade financeira do município em manter o subsídio às empresas e do risco de paralisação do sistema. Com o decreto publicado pela prefeitura, a tarifa paga em dinheiro passa de R$ 6,50 para R$ 7,25 (reajuste de 11,5%), enquanto o valor pago com cartão de bilhetagem eletrônica ou vale-transporte sobe de R$ 5,90 para R$ 6,65. A nova tarifa começa a valer a partir da zero hora da próxima segunda-feira (9).
Este é o segundo reajuste no transporte coletivo em oito meses. Em julho de 2025, o valor da passagem havia sido elevado de R$ 5 para R$ 6,50 em dinheiro. Considerando os dois aumentos, a tarifa acumula alta de aproximadamente 45% em menos de um ano.
Decisão tomada diante do risco de paralisação
Durante a entrevista, o prefeito afirmou que a decisão foi tomada após análises internas da prefeitura e conversas com o consórcio responsável pelo transporte coletivo na cidade. Um dos fatores que pesaram na decisão foi o alerta da Associação dos Transportadores Urbanos de Santa Maria (ATU) de que poderia haver atraso no pagamento dos salários dos trabalhadores do setor.
Segundo Decimo, havia preocupação de que a situação financeira das empresas e do município levasse a uma nova paralisação do transporte.
- Tínhamos essa preocupação, sim, com relação ao colapso do sistema. Existe a questão salarial, que precisa ser paga agora no quinto dia útil, e também a discussão do reajuste anual da categoria. Tudo isso poderia gerar transtornos aos usuários que dependem do transporte coletivo - afirmou.
Confira a entrevista completa
O chefe do Executivo explicou que a prefeitura optou por anunciar o reajuste imediatamente para dar previsibilidade ao sistema e permitir que as empresas avancem nas negociações com os trabalhadores.
- Quando tomamos uma decisão como essa, de aumentar a tarifa, é uma decisão muito pensada. Buscamos um número que permita ao sistema continuar rodando e que, ao mesmo tempo, não prejudique em demasia os usuários - disse.
Sistema fragilizado após a pandemia
Outro ponto destacado na entrevista foi o impacto da pandemia da Covid-19 no transporte coletivo. Segundo ele, o sistema ainda não recuperou o volume de passageiros registrado antes de 2020:
- Depois da pandemia, o sistema de transporte coletivo ficou muito fragilizado. O número de usuários nunca mais voltou ao patamar que havia antes, e isso dificulta muito o equilíbrio financeiro das empresas.
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De acordo com estimativas preliminares mencionadas pelo prefeito, a tarifa técnica já estaria acima de R$ 8.
- De forma preliminar, já se indica que a tarifa técnica hoje é superior a R$ 8. O reajuste que fizemos agora é uma medida emergencial para que o sistema continue funcionando enquanto buscamos soluções estruturais - afirmou.
Dívida de subsídio e dificuldade financeira
A decisão também ocorre em meio a um impasse financeiro entre o município e as empresas de ônibus. A ATU afirma que a prefeitura ainda deve cerca de R$ 12,5 milhões em subsídios referentes a 2025. O subsídio municipal serve para reduzir o valor pago pelo passageiro, cobrindo a diferença entre a tarifa técnica e o preço da passagem.
Questionado, o prefeito admitiu que a prefeitura enfrenta dificuldades financeiras para fazer novos aportes no sistema neste momento.
- Precisamos avançar em algumas questões estruturais para que possamos ter condições de aportar recursos no sistema de transporte coletivo. A principal delas é a questão previdenciária, que tem impactado fortemente as finanças do município - afirmou.
O prefeito também disse que o cenário financeiro exige acompanhamento constante:
- Estamos trabalhando mês a mês, praticamente dia a dia, para garantir que todas as obrigações do município sejam cumpridas.
Rodrigo Decimo indicou que uma possível reforma no sistema previdenciário municipal é considerada essencial para equilibrar as contas públicas. Segundo ele, o avanço dessa pauta pode abrir espaço para que o município volte a subsidiar o transporte coletivo com mais intensidade.
- A questão previdenciária é a mais urgente. Se conseguirmos avançar nesse tema, teremos um horizonte mais claro para o restante do ano e poderemos discutir com mais tranquilidade o que é possível aportar no sistema de transporte - declarou.
Tarifa entre as mais caras do Estado
O novo valor pode colocar Santa Maria entre as tarifas mais caras do Rio Grande do Sul e até mesmo entre as mais altas do país. Rodrigo Decimo reconheceu o impacto do aumento, mas disse que a análise da prefeitura considerou o perfil de pagamento dos usuários.
- A tarifa de R$ 7,25 representa cerca de 12% a 14% dos usuários que pagam em dinheiro dentro do ônibus. A maior parte utiliza vale-transporte ou Cartão Cidadão, que terão tarifa de R$ 6,65 - justificou.
Ele também destacou que uma parcela significativa dos passageiros utiliza tarifas diferenciadas.
Temos também cerca de 17% a 20% de estudantes que pagam valores reduzidos, e usuários que utilizam integração tarifária. Quando analisamos o conjunto, a maior parte dos passageiros não pagará o valor máximo da tarifa - informou.
Prefeitura busca solução estrutural para o transporte
Além do reajuste tarifário, o prefeito também falou sobre a necessidade de mudanças estruturais no sistema de transporte coletivo da cidade. A prefeitura trabalha para lançar uma nova licitação do transporte coletivo, mas admite que o processo depende do equilíbrio financeiro do sistema. Decimo também defendeu mudanças no modelo nacional de financiamento do transporte público.

- Se hoje apresentássemos uma licitação sem subsídio do município, a tarifa ficaria muito mais alta. Por isso precisamos primeiro encontrar esse equilíbrio para, então, avançar com o processo licitatório. Esse não é um problema exclusivo de Santa Maria. É um tema que afeta cidades de todo o país, e por isso estamos buscando apoio em Brasília para discutir novas formas de financiamento do transporte coletivo - finalizou
Novos valores da passagem
A partir de 9 de março de 2026, os valores da tarifa do transporte coletivo de Santa Maria serão:
- Dinheiro: R$ 7,25
- Vale-transporte e Cartão Cidadão: R$ 6,65
- Cartão estudante: R$ 3,82
- Cartão estudante integrado: R$ 1,91
- Cartão cidadão integrado / vale-transporte integrado: R$ 5
- Aplicativo de bilhetagem eletrônica: R$ 6,65
- Cartões bancários: R$ 7,65 (tarifa técnica)